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Ceticismo e criatividade são armas no combate à corrupção

20/11/2015 - 19h21
EVENTOS

A detecção da fraude e da corrupção é um grande desafio para as instituições. Só que mais importante do que punir, é criar meios de prevenção. Esse foi o recado dado pelo assistente do Centro Internacional de Recursos Anticorrupção do Reino Unido, Peter Copplestone, na palestra de encerramento do Encontro Brasil-Reino Unido, que aconteceu na tarde desta sexta-feira (20) no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Copplestone falou sobre as fraudes mais comuns e sinalizadores que apontam para possíveis operações fraudulentas, desde a etapa de planejamento de projetos à fase de execução. Da manipulação de informações confidenciais de licitações aos aditivos em obras e projetos que nunca acabam.

De acordo com o palestrante, 83% de todas as mortes causadas por desabamento no mundo ocorrem em países com altos níveis de corrupção. Má gestão, utilização de material de baixa qualidade, construções em locais inadequados ou em desconformidade com as regras de engenharia são as razões apontadas por trás de muitas dessas tragédias.
Rastros
A corrupção, entretanto, deixa rastros, segundo Copplestone. Concessões injustificadas de fornecedores exclusivos, compra de itens desnecessários, exclusão de candidatos qualificados em licitações, rotação de licitantes vencedores são exemplos de indícios de corrupção que merecem minucioso acompanhamento.
O conluio entre empresas também foi citado na palestra. Empresas acordam quem vai ganhar a licitação e a ganhadora embute no contrato o valor que será repassado àquelas que propositalmente vão perder. Muitas empresas qualificadas sequer chegam a se candidatar porque sabem da existência desses conluios.
Alternativas
De acordo com Copplestone, quanto mais transparência nas licitações, menos corrupção.  Outras alternativas também foram sugeridas pelo especialista, como o incentivo a programas de conscientização sobre corrupção, criação de mecanismos de denúncia anônima, estabelecimento de diálogo aberto com os licitantes perdedores para consultá-los se o processo foi justo e transparente.
Conduzir entrevistas dentro dos órgãos também deve fazer parte dos planos de auditoria como forma de abrir oportunidades de diálogos e obter informações das mais improváveis pessoas que, numa conversa informal, podem alertar se algo está andando errado.
Para o palestrante, no combate à corrupção é preciso ceticismo e criatividade, pois uma visão imparcial e cautelosa permite soluções inovadoras e eficientes.

http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/noticias/noticias/Ceticismo-e-criatividade-s%C3%A3o-armas-no-combate-%C3%A0-corrup%C3%A7%C3%A3o

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