“O poder só é efetivado enquanto a palavra e o ato não se divorciam, quando as palavras não são vazias e os atos não são brutais, quando as palavras não são empregadas para velar intenções, mas para revelar realidades, e os atos não são usados para violar e destruir, mas para criar relações e novas realidades.” (ARENDT, Hannah Condição Humana, 2007, p. 212)

SOCORRO FINANCEIRO - Governo libera R$ 57 milhões em créditos extraordinários à Justiça

  
3 de novembro de 2016, 21h06
O governo federal liberou mais de R$ 57 milhões em créditos extraordinários ao Judiciário. Os valores foram destinados à Justiça Federal de primeiro grau, à Justiça Militar da União, ao Superior Tribunal de Justiça, ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e aos tribunais regionais do trabalho da 1ª (RJ), 3ª (MG), 4ª (RS), 6ª (PE), 8ª (PA/AP), 11ª (AM/RR), 12ª (SC), 18ª (GO), 23ª (MT) e 24ª (MS) regiões.
A Justiça Federal de primeiro grau foi o destino da maior parte: R$ 18,6 milhões — ou 32%. Em seguida vem o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), que recebeu mais de R$ 15 milhões, que representam 27% dos R$ 57 milhões. No terceiro lugar está o STJ, com R$ 9,8 milhões.
Os R$ 57 milhões transferidos à Justiça são parte de um pacote de R$ 82 milhões. A diferença fica a cabo da Câmara dos Deputados. O aporte de mais de R$ 24,7 milhões vem uma semana depois que a Casa aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda Constitucional 241/2016, que ficou conhecida como a PEC do Teto de Gastos.

Dinheiro escasso
Os R$ 22,8 milhões destinados à Justiça do Trabalho são o segundo aporte feito pelo governo federal neste ano. Em julho, foram liberados R$ 353 milhões em créditos extraordinários para atenuar o corte orçamentário. À época, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), apesar de elogiar o repasse, declarou que o montante era insuficiente.
O CSJT classificou como as situações mais precárias as das cortes do Trabalho de Goiás, do Rio de Janeiro e de Mato Grosso. Nesse novo crédito, o TRT do RJ recebeu mais de R$ 15 milhões; o de MT, R$ 495 mil; e o de GO, R$ 403 mil. No aporte anterior, essas cortes receberam R$ 2,9 milhões, R$ 852 mil e R$ 960, respectivamente.
A Justiça do Trabalho tem uma das situações mais preocupantes. Os cortes chegaram a 30% em despesas de custeio e 90% da verba para investimentos. Por causa disso, alguns TRTs afirmaram que paralisariam suas atividades a partir de agosto. Nenhuma suspensão de atividades ocorreu até agora.
Em junho, 38 estagiários da área administrativa tiveram seus contratos rescindidos pelo TRT-18. A corte também reduziu funcionários terceirizados, cortando sete postos de trabalho na área de vigilância e seis na copa.
Em nota, o TRT-18 informou que a MP não resolverá os problemas da corte e que manterá os cortes. "Com esses recursos, o tribunal ganha um fôlego suficiente para se manter por aproximadamente mais 15 dias, garantindo seu funcionamento até meados do mês de outubro deste ano."
Outra corte em maus lençóis é o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR). Em abril deste ano, o presidente da corte, desembargador Arnor Lima Neto, classificou a situação como dramática e ameaçou fechar as portas em outubro, mas nada aconteceu nesse sentido. O corte de verbas destinadas ao custeio e aos investimentos foram, respectivamente, 27,85% e 90% menores que as registradas em 2015.
Esse cenário fez com que o presidente do Tribunal Superior do Trabalho e do CSJT, ministro Ives Gandra Martins Filho, se reunisse com o presidente interino Michel Temer, representantes do Ministério do Planejamento, do Ministério da Fazenda, da Casa Civil e do Congresso Nacional. Dias antes, o Tribunal de Contas da União, questionado pelo Ministério da Fazenda, considerou possível a edição abertura de créditos extraordinários “quando a insuficiência de dotação puder potencialmente acarretar a descontinuidade de serviços públicos essenciais”.
Veja os totais liberados pelo governo federal, seus destinos e suas justificativas:
Destino
Justificativa
Valor (R$)
Câmara dos Deputados
Processo legislativo, fiscalização e representação política
24.701.537
Justiça Federal (1º grau)
Julgamento de causas na Justiça Federal (nacional)
18.638.755
TRT-1 (RJ)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
15.789.758
Superior Tribunal de Justiça
Apreciação e julgamento de causas (Brasília)
9.827.915
Justiça Militar da União
Processamento de causas na Justiça Militar da União (nacional)
3.870.000
TRT-3 (MG)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
2.535.361
TRF-5
Julgamento de causas na Justiça Federal (nacional)
2.100.000
TRT-11 (AM/RR)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
1.398.500
TRT-4 (RS)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
642.000
TRT-6 (PE)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
523.004
Tribunal de Justiça do Distrito Federal
Assistência jurídica a pessoas carentes
600.000
TRT-12 (SC)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
498.753
TRT-23 (MT)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
495.000
TRT-18 (GO)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
403.140
TRT-8 (PA/AP)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
369.000
TRT-24 (MS)
Apreciação de causas na Justiça do Trabalho
170.256
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Revista Consultor Jurídico, 3 de novembro de 2016, 21h06

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